O Papa Francisco e a duração de um discurso

Li com muita atenção, um texto de autoria do Papa da Oratória no Brasil, Reinaldo Polito, sobre uma orientação do Papa Francisco aos bispos e padres, principalmente, sobre o tempo de duração da homilia.

Disse Sua Santidade que estava cansado de ouvir ou de tomar conhecimento de que os religiosos católicos apostólicos romanos, andavam exagerando na duração da homilia, passando de 40 ou 50 minutos. Olhando pelo lado da expressão verbal, sem dúvidas, um absurdo.

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Houveram tempos em que esta verdadeira penitência era até compreendida, mas a tendência foi mudando à medida em que as ferramentas de comunicação foram evoluindo, sobre tudo em tecnologia. Hoje, quando nem as crianças dispensa um aparelho de telefone celular e estão constantemente ligadas nas redes sociais, é muito difícil que uma pessoa, criança ou não, preste atenção em uma homilia por mais de 10 minutos. Se é que chega a tanto.

Hoje, é preciso utilizar muitas ferramentas modernas de comunicação para fazer com que o público-alvo prenda sua atenção em uma apresentação, seja um simples discurso de agradecimento ou até mesmo uma apresentação mais elaborada. Gráficos, números, imagens fotográficas, vídeos, pitadas de humor, voz firme, gestos e posturas seguras, são necessários para que a atenção não se disperse.

Falar bem, é um conjunto de ações que envolve também o domínio de técnicas de comunicação!

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As “marcas” e os “vícios de linguagem”

Analisando a comunicação moderna sob o aspecto da língua formal, poderíamos afirmar que tem muita gente utilizando vício de linguagem pensando que é marca registrada.

Uma marca registrada é uma forma de se manifestar, são palavras utilizadas de tal forma que ao ouvi-las pensamos logo em que as fala.

Uma liderança política muito conhecida no final do século passado, Leonel Brizola, costumava falar em “contiúdo” para referir-se à palavra conteúdo e “não rotundo” para reformar a expressão negativa. Eram, digamos assim dentro deste nosso raciocínio, marcas registradas dele.

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Existem muitos outros exemplos de expressões utilizadas por pessoas dos mais variados segmentos da sociedade, que são verdadeiras marcas registradas. Mas na atualidade também se ouvem muitos vícios de linguagem, que quem os pronuncia, nem sempre imagina são verdadeiros vícios, como os que estão estampados na imagem que ilustra este post. Tipo assim, né… são verdadeiros vícios de linguagem.

Outro aspecto relevante para a comunicação, mas que também estão “bagunçando” a língua portuguesa, são expressões como: vou estar mandando, vamos estar entrando em contato. Ora, porque não falar, estaremos mandando, entraremos em contato.

Quem pratica este tipo de linguagem, embora nem sempre saiba, está assassinando a nossa língua formal, a língua portuguesa, e muitos estão pensando em uma linguagem moderna.

Moderna sim, mas errada, do ponto de vista da língua portuguesa.

E tem muita gente também que defende esta linguagem moderna, afirmando que os professores têm que ensinar nas escolas o que se pratica nas ruas ou mais propriamente, na internet, nas redes sociais.

Há controvérsias.

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A grande importância do “falar bem”

As histórias de pessoas com boa formação específica, mas com problemas de comunicação, são velhas e verdadeiras. Com efeito, há muitos profissionais que são bons em suas áreas, mas carecem de uma melhor comunicação. Não avançam neste processo de melhorar a comunicação, porque simplesmente entendem que não é necessário, ou então que “não nasci para isso”.

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Mas o profissional de sucesso, hoje, precisa saber se comunicar. Um contador, por exemplo, trabalha para um público interno – quase sempre. Mas pode chegar o dia em que seja convocado pelo superior a fazer uma explanação sobre a situação econômica da empresa. Aí bate o desespero! Na verdade, não há motivo para desespero, pois via de regra, este contador conhece o seu ofício e poderá desenvolver a apresentação com sucesso, se atentar para algumas técnicas de comunicação.

Em uma apresentação, a segurança, o controle emocional e a fluência verbal estão intimamente ligadas ao “conhecer o assunto”. Vejo acadêmicos trêmulos, horrorizados e alguns até com forte descontrole emocional, ao ter que apresentar um trabalho em sala de aula. Não deveria ser assim, mas as universidades – para não falar as escolas em geral – não preparam seus alunos para o “saber falar em público”, o que considero uma falha.

Contudo, retomando o princípio, se temos conhecimento do assunto sobre o qual vamos explanar, não devemos ter medo da apresentação. É só dominar algumas técnicas para o controle emocional e a doma do medo, posicionamento corporal, articulação vocal e pronto. Sucesso garantido.

Falar bem não é difícil. Basta querer!

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Só eu que não “tô” entendo nada?

Eu aprendi nas escolas a utilizar a linguagem forma. Tudo bem que sempre sigo esta regra. Depois, na faculdade, aprendi que obrigação de quem tem formação, utilizar a linguagem formal, principalmente quando escreve e fui orientado no trabalho de conclusão de curso por uma professora especialista.

No jornalismo, vez ou outra, fujo destas normas para que o texto surja mais simples, com menos linguagem rebuscada. Mas, não me permito a muitos exageros.

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Foi por causa disto que começaram a me incomodar, algumas formas de comunicação que a despeito de serem modernas, fogem da linguagem formal.

Aí então, perguntei a um professor doutor, phd, etc… como ele via este desvirtuamento da língua portuguesa padrão com expressões do tipo: vamos estar mandando, vamos estar te ligando mais tarde e outras do tipo.

Recebi como resposta que não tem nada de errado e que temos que seguir acompanhando as expressões modernas sob pena de nos isolarmos no plano da comunicação. Mais ou menos assim: se todo mundo está falando, vamos falar também.

E aí eu pergunto: aderir aos modismos, isto é interessante para a língua portuguesa?

Se este meu pequeno texto provocar em você leitor, uma reflexão a respeito, me dou por satisfeito.

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Que dupla boa de oratória, hein?

Tenho o costume de seguir de perto algumas personalidades que entendo que se comunicam muito bem. Foi nesta “perseguição” que topei com o casal Obama e Michelle, quando ainda eram ocupantes da Casa Branca americana. Diria, em termos de expressão verbal e corporal, que é um casal especial.

Obama é expert em combinar assunto sério, com tiradas que gravam na mente da plateia, ou seja, tem uma capacidade enorme de manter a atenção do público, que é realmente incrível. Quando o assunto é realmente sério, mantinha-se firme com expressões seguras, fala marcante, sem impostação de voz, mas com vibrações e tons que marcam aquilo que deseja marcar. Quando em ambientes e eventos sem muito rigor, marca o discurso pelo bom humor e conhecimento do público. Foi assim quando esteve no Brasil, no Rio de Janeiro, quando esbanjou simpatia e fez um discurso inesquecível com muitas abordagens que interessavam àquele público. Simplesmente espetacular!

Michele sempre pareceu mais tímida e realmente é. Mas não confundam timidez com falta de habilidade ao conduzir apresentações e expressar mensagens. Foi assim que me surpreendi com um discurso na campanha de Hillary Clinton, que tentou ser sucessora de Obama.

Meu Deus, que discurso! Emblemático, dinâmico, sereno, firme, convicto, simples, abrangente, coisa de gente que sabe o que diz. Virei fã. Um casal sensacional!

Sempre vale a pena ver pessoas que falam bem.

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