A pandemia versus a oratória

Sobre um post recente em que dizia das vantagens da oratória, da retórica, enfim, das vantagens de uma comunicação eficaz, um gaiato me respondeu “de que adianta falar bem, se as recomendações são de distanciamento e as máscaras que utilizados acabam por abafar a voz e prejudicar a comunicação, eliminando a leitura labial, por exemplo.

Tenho uma visão diferente. Entendo que é hora de refletir e estudar, para que quando as coisas voltarem ao normal, levar alguma vantagem no sentido de colocar em ação novas estratégias, com o acúmulo de conhecimento destes dias difíceis que vivemos.

Pode ser que o normal do futuro não seja como normal do início deste ano de 2020, mas acredito que vamos evoluir com a criação de vacinas e outras drogas para conter o avanço do Covid-19.

É neste sentido que entendo ser importante aproveitar o momento para acumular conhecimento e “largar na frente”, quando a maioria das regras de distanciamento forrem dispensadas.

É claro que o domínio de técnicas de comunicação continuarão a serem importantes para a o desenvolvimento e exercício de liderança, não porque “falar bonito” é a moda, mas porque a qualidade de comunicação, creio, continuará tendo sua importância.

Me parece claro que falar bem continuará sendo de fundamental importância para gerenciar equipes, organizações, e outros quetais. Tenho elementos suficientes para acreditar nisto, pois escrevo no momento, em que pelo menos três testes de vacinas contra o Covid-19 mostram eficácia. Então, para mim, estamos próximos de iniciar o retorno à 17 de março de 2020, digamos assim, o “dia em que a terra parou”.

E quando este dia chegar, eu desejo estar pronto para assumir novos desafios, com novas estratégias de ação, para alcançar meus objetivos, dentre eles de dominar a arte de falar em público.

Quero estar pronto, vamos comigo?

O nome correto

Ouvi falar, inúmeras vezes, expressões do tipo “fulano tem uma retórica incrível”, “nasceu para falar em público” e outras expressões não menos comuns, em referência ao modo fácil com que uma pessoa se expressa.

Depende,  mas quase sempre, este “falar bem” está ligando à oratória e não à eloquência, especificamente. É tudo meio parecido, mas nas profundezas, nos detalhes, é diferente.

O falar bonito, como já me expressei aqui neste Blog, é habilidade de oratória, tudo bem. Mas, a questão central está ligada ao conteúdo. Se tiver forte conteúdo, é retórica, porém, se for apenas um discurso bonito, é oratória.

Conseguiram entender?

Explico melhor: este discursos políticos, bonitos, porém sem conteúdo, ou até com conteúdo, mas sem muita fundamentação, é oratória; aquele discurso que conhecemos no Brasil como “discurso político”. Aquele discurso com conteúdo comprovado, estudado é retórica. Tanto que a palavra retórica está maia associada a Aristóteles, por ser um discurso com forte conteúdo argumentativo.

Tenho para mim, que a oratória refere-se à fala bonita que a retórica à fala que convence, a argumentação e ainda tem mais. No meu ponte de vista, a oratória não tem compromisso com gestões e postura, diferentemente da retórica, que é um conjunto de habilidades e ferramentas que a compõem.

Discurso com fundamento na oratória é discurso “bonitinho, como embalagem de sabonete ordinário”. Boa embalagem, mas péssimo conteúdo; discurso com fundamento retórico é aquele que o cidadão escuta e vai para casa pensando na argumentação utilizada, é um discurso que marca por várias habilidades e/ou características.

As diferenças entre eloquência, oratória e retórica

Quando escrevi meu terceiro livro (Fale bem, você também) meus conceitos de eloquência, oralidade, oratória e retórica, eram digamos assim, extremamente acadêmicos.

Não os desprezo completamente, pois eles guardam a essência de meu aprendizado sobre as teorias da comunicação.

Hoje, porém, tenho claro os mesmos conceitos, só que agora de forma mais simples e objetiva.

Oralidade, em meu ponto de vista, é tudo o que se fala;

Eloquência é o dom da fala, que muitas ouvi que tenho e já ouvi também em relação à outras pessoas, o carisma, a expressividade, a espontaneidade, a facilidade ao falar e até o mesmo a espirituosidade, também conhecida como “presença de espírito”, é aquilo que se diz no dia a dia como “tem o dono de falar em público” e que se diferencia dos demais termos sobre os quais discorro;

Oratória é a utilização de ferramentas de comunicação (conjunto de técnicas, gestos, maneiras, formas de dizer, que podem ser adquiridas por intermédio de cursos, de leituras, de práticas”, a fala bonita, porém sem compromisso com o convencimento;

Retórica se refere mais a argumentação sólida do conteúdo, à associação e à disposição das ideias, a força da lógica, da dialética, que também se adquire com muita leitura, exigindo amplo e profundo conhecimento. É imprescindível porque é ela que dá substância e impacto na comunicação e é considerada a arte da persuasão.

Neste sentido não dúvida de que é a retórica quem resume todos os outros atributos e formam o conjunto “a arte de falar bem em público”.

Por isso, nossa palestra-chave é a “Domine a arte de falar bem em público”.

Quem é você?

Olá. O amigo aí, ou a amiga, nunca “tremeu na base” quando teve que responder esta pergunta?

Eu confesso que sim. Apesar de ser uma pergunta simples, ela tem muitas respostas, que dependerão, cada uma do interlocutor e até mesmo da ocasião.

Mas aqui, neste contexto, digamos que seja uma pergunta lhe dirigida na oportunidade em que apresenta o seu produto.

Então, neste contexto, sugiro que primeiramente respire fundo e tenha muito cuidado com a resposta, porque dela depende a sua venda.

Mas, se você está visitando um empresário para vender seu produto, faça com que a sua resposta seja interessante e que valha a pena conhecê-la. Empresários, normalmente, tem pouco tempo para atender pessoas e pode ser o caso de seu interlocutor.

O futuro de sua venda depende desta resposta. Então vamos lá.

No meu caso, se estivesse vendendo uma palestra ou um treinamento, responderia:

  • Bem, eu sou um estudioso dos relacionamentos, principalmente da comunicação. Tenho formação na área e experiência. Sou alguém que pode ajudar a resolver, talvez, o maior problema das organizações, que é a falha de comunicação. Meu método de trabalho é este…

Responda sempre com objetividade, com segurança.

É importante, que seja lá em que contexto estiver, é preciso fazer com que valha a pena o (a) interlocutor (a) conhecer o seu trabalho, seu método e se o caso for de relacionamento interpessoal, conhecer você.

Seja até mesmo na vida pessoal, mostre-se interessante e faça tudo o que puder para confirmar esta expectativa que está gerando na outra pessoa, para não decepcioná-la.

Ânimo, alto astral, bom poder de convencimento, argumentação positiva, demonstrando conhecimento sem parecer arrogante ou um “sabe tudo”.

E na hora de ouvir, saiba ouvir. Não interrompa, seja educado, cordial e gentil.

Boa sorte!

As “marcas registradas” e os “vícios de linguagem”

Analisando a comunicação moderna sob o aspecto da língua forma, poderíamos afirmar que tem muita gente utilizando vício de linguagem pensando que é marca registrada.

Explico.

Uma marca registrada é uma forma de se manifestar, são palavras utilizadas de tal forma que ao ouvi-las pensamos logo em que as fala.

Uma liderança política muito conhecida no final do século passado, Leonel Brizola, costumava falar em “contiúdo” para referir-se à palavra conteúdo e “não rotundo” para reformar a expressão negativa. Eram, digamos assim dentro deste nosso raciocínio, marcas registradas dele.

Existem muitos outros exemplos de expressões utilizadas por pessoas dos mais variados segmentos da sociedade, que são verdadeiras marcas registradas. Mas na atualidade também se ouvem muitos vícios de linguagem, que quem os pronuncia, nem sempre imagina são verdadeiros vícios, como os que estão estampados na imagem que ilustra este post. Tipo assim, né… são verdadeiros vícios de linguagem.

Outro aspecto relevante para a comunicação, mas que também estão “bagunçando” a língua portuguesa, são expressões como: vou estar mandando, vamos estar entrando em contato. Ora, porque não falar, estaremos mandando, entraremos em contato.

Quem pratica este tipo de linguagem, embora nem sempre saiba, está assassinando a nossa língua formal, a língua portuguesa, e muitos estão pensando em uma linguagem moderna.

Moderna sim, mas errada, do ponto de vista da língua portuguesa.

E tem muita gente também que defende esta linguagem moderna, afirmando que os professores tem que ensinar nas escolas o que se pratica nas ruas ou mais propriamente, na internet, nas redes sociais.

Há controvérsias.

Não “tô” entendendo

O processo de comunicação envolve alguns elementos fundamentais, sendo que cada um deles desempenha papel preponderante para que a comunicação aconteça de forma efetiva.O emissor (que é o elemento que emite); o receptor (o que recebe) e a mensagem (que é o conjunto de informações transmitidas), são os três elementos fundamentais da comunicação.

Alguns outros elementos, não menos importantes, também devem ser utilizados para que a comunicação aconteça. Para que isto ocorra devemos escolher um código (que é a combinação de signos utihzados na transmissão de uma mensagem), um canal de comunicação (por onde a mensagem é transrmtida: televisão, rádio, jornal, revista, cordas vocais, ar, etc), não perdendo de vista o contexto, ou seja a situação a que a mensagem se refere, também chamado de referente.

Contextualizando estes elementos, tendo nos extremos o emissor e o receptor, pode-se facilmente concluir que há uma necessidade premente de adaptar o código, ou seja, o emissor tem que utilizar um código que o receptor consiga interpretá-lo ou decodificá-lo e emitir uma resposta.

Quando falamos em código, a questão nos remete a uma questão prática da comunicação: a necessidade adaptação da linguagem ao publico. Um dos exercícios mais interessantes que fiz na faculdade foi o de contar historinhas para crianças. Isto me fez ver na prática, a necessidade de adaptação do linguajar normalmente utilizado no dia-a-dia para uma linguagem que propiciasse às crianças o entendimento das historinhas. Na verdade, foi necessário bem mais do que a expressão verbal, utilizando a expressão corporal como ferramenta para me fazer entender.

Aquela experiência, aliada à outras decorrentes da atividade profissional, me permite afirmar de forma concreta, que muitos bons projetos e ótimas idéias deixam de ser aproveitadas todos os dias, por que o (s) interlocutor (es) não teve o mesmo entendimento do (s) apresentador (es). Faltou a adaptação da linguagem para o público alvo, ou seja, não posso falar com lingagem técnica para um público que não esteja acostumado aos termos.

Como vivemos num país de dimensões continentais e com população tão diversificada, é possível que existam muitas diferenças na linguagem de estado para estado ou de região para região. De forma geral, sabe-se também que a população interiorana utiliza linguagem com suas peculiaridades.

De modo particular, não posso utilizar no lugarejo onde nasci o mesmo linguajar que utilizo no cotidiano, muito embora não seja comum usar termos técnicos, pois certamente os meus receptores teriam problemas para entender a minha mensagem. Aí cabe uma pergunta, que muitas vezes já me foi feita durante os cursos e palestras que ministro: qual é a linguagem correta? A resposta é a seguinte: de modo geral, a linguagem correta é aquele em que os meus interlocutores me compreendem, e portanto, estabeleço uma comunicação eficaz; é a linguagem coloquial.

Mas cuidado, isto não permite abusar com a língua portuguesa sob o manto da máxima de que “vale tudo”, pois os cidadãos com formação de nível médio e universitária tem o compromisso de falar e escrever na linguagem padrão, que nada mais é do que a língua portuguesa culta.

Vencendo o medo de falar em público

Entre tantos “medos” inerentes ao ser humano, recentes pesquisas feitas nos Estados Unidos e na Inglaterra – acredito que não seja diferente na América Latina e no Brasil, tem apontado o medo de falar em público, como o maior deles.

Parece incrível não é? Mas, quem não sentiu um “frio na barriga”, as pernas tremerem, o rubor do rosto e as orelhas pegarem fogo, antes de alguma apresentação?

Nos cursos que temos ministrado temos observado que a grande maioria dos participantes, mesmo aqueles que exercem função de chefia e estão acostumados a presidir reuniões e apresentar projetos, tem sofrido com o medo quando tem que atuar fora da sua rotina de trabalho, fora do seu habitat natural.

O que é necessário deixar claro é que o medo faz parte deste processo de exposição pública, que é comunicar-se com um grande número de pessoas ao mesmo tempo, especialmente se especialistas em alguma área em que pela nossa formação não dominamos. Até para quem está acostumado com apresentações, esse “frio na barriga” é considerado natural nos primeiros minutos do discurso. Se este “pequeno medo” é natural, então o que fazer para que diminuamos o nosso medo até este subjetivo nível aceitável? A primeira coisa é dominar o assunto, pois isto nos dá confiança. Este poder de argumentação é primordial. Se outros atributos de uma boa apresentação falhar, pelo menos, você “sabe tudo” sobre o assunto e poderá salvar a apresentação.

O domínio de técnicas de apresentação são de fundamental importância para o êxito da apresentação, exposição ou discurso. Estas técnicas devem incluir posicionamento diante do público, postura e linguagem adequada.

A terceira coisa importante é treinar e treinar muito. Não nos esqueçamos de que treinar não é decorar, esta sim, altamente influenciadora de apresentações mal sucedidas. É só esquecermos uma palavra e lá se foi a apresentação. Mas então é muito fácil fazer uma boa apresentação! É, pode ser, se houver a necessária atenção. Esta “necessária atenção” implica em alguns exercícios de respiração e dicção, não se estressar com assuntos negativos no anteceder da apresentação e ao ser chamado para falar, agir com naturalidade, boa intensidade de voz, olhar nos olhos das pessoas, comprometendo-se e passando confiança para o público.

Mas então, se é tão fácil, porque os cursos de oratória são cada vez mais procurados? Não bastaria comprar um bom livro sobre o assunto e lê-lo à exaustão? Os cursos lotam porque nele são trabalhados assuntos, técnicas e principalmente a prática. Grande parte das pessoas que participam dos cursos conhece as técnicas, mas não as aplicam. É o treinamento, a prática, que nos leva a evolução.

Por fim, é importante observar que falar bem é necessário para todas as profissões nas mais diversas áreas e esta inabilidade de comunicação é um dos maiores limitadores do sucesso profissional.

A importância do “falar bem”

As histórias de pessoas com boa formação específica, mas com problemas de comunicação, são velhas e verdadeiras.

Com efeito, há muitos profissionais que são bons em suas áreas, mas carecem de uma melhor comunicação. Não avançam neste processo de melhorar a comunicação, porque simplesmente entendem que não é necessário, ou então que “não nasci para isso”.

Mas o profissional de sucesso, hoje, precisa saber se comunicar.

Um contador, por exemplo, trabalha para um público interno – quase sempre. Mas pode chegar o dia em que seja convocado pelo superior a fazer uma explanação sobre a situação econômica da empresa. Aí bate o desespero! Na verdade, não há motivo para desespero, pois via de regra, este contador conhece o seu ofício e poderá desenvolver a apresentação com sucesso, se atentar para algumas técnicas de comunicação.

Em uma apresentação, a segurança, o controle emocional e a fluência verbal estão intimamente ligadas ao “conhecer o assunto”.

Vejo acadêmicos trêmulos, horrorizados e alguns até com forte descontrole emocional, ao ter que apresentar um trabalho em sala de aula. Não deveria ser assim, mas as universidades – para não falar as escolas em geral – não preparam seus alunos para o “saber falar em público”, o que considero uma falha.

Contudo, retomando o princípio, se temos conhecimento do assunto sobre o qual vamos explanar, não devemos ter medo da apresentação. É só dominar algumas técnicas para o controle emocional e a doma do medo, posicionamento corporal, articulação vocal e pronto. Sucesso garantido.

Falar bem não é difícil. Basta querer!